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Por ocasião das comemorações do Sesquicentenário
do Falecimento do Caríssmo Irmão Visconde
da Torre de Garcia D'Avila (1852/2002), que foi o
primeiro Provedor de nossa Imperial Irmandade, após
a Independência, foi realizada a Exposição de Brasões
de Armas do Armorial Histórico da Casa da Torre
de Garcia D'Avila, noticiada no número de dezembro/2002.
Devido á grande ocorrência de Caríssimos Irmãos e
demais visitantes ao nosso Museu, achou por bem nosso
C.I. Provedor Dr. Jorge Paes de Carvalho prorrogar
a Exposição até o dia 15 de janeiro, para melhor apreciação
de todos.
O dono do precioso acervo heráldico exposto, Dr.
Christovão Dias de Avila Pires Jr., que é descendente
direto do Visconde da Torre e preside o Centro Cultural
e de Pesquisas do Castelo da Torre, nos transmite
importantes conhecimentos sobre o tema Armorial Histórico,
que é pouco conhecido entre os brasileiros e que despertou
grande interesse do numeroso público que visitou a
exposição em nosso Museu.
BRASÃO DE ARMAS
O BRASÃO nasceu na Idade Média, provocado pela necessidade
de disciplinar e ordenar os sinais, aparecidos para
individualizar e distinguir os homens de armas, cobertos
pelas armaduras metálicas, nos campos de batalha e
nas justas e torneios. No século XII, encontrava-se
já constituída a Heráldica - ciência e arte do Brasão
- passando, pouco a pouco, as marcas pessoais dos
homens de armas, a constituir uma emblemática de família.
A HERÁLDICA porém, não ficou limitada ao âmbito estritamente
familiar, ultrapassou o campo social, estendendo-se
a outros setores - as ordens religiosas, os prelados,
as vilas e cidades e as corporações, dando sentido
de continuidade àquela célula viva e natural da Nação,
fortalecendo-a e outorgando-lhe o sentido de perenidade.
BRASÃO DA CASA IMPERIAL BRASILEIRA
A Nobreza e a Fidalguia são qualidades de uma pessoa,
adquiridas pelo nascimento, ou atribuídas ao indivíduo
pelo poder do estado, principalmente, em atenção a
méritos extraordinários e dotes morais e cívicos,
destacando-o do homem comum, tornando-o credor do
público reconhecimento.
Recebe sua família, dentro direito português, a denominação
de "Casa" como, numa expressão brasileira, a "Casa
Imperial Brasileira" e a "Casa da Torre de Garcia
D'Avila", sendo que, através do vínculo do matrimônio,
principalmente em havendo sucessão, seus descendentes
pertencem às duas "Casas".
Assim, no vínculo por matrimônio, de uma descendente
da "Casa da Torre" - Da. Maritza Bulcão Ribas, com
um descendente da "Casa Imperial Brasileira" - Príncipe
Dom Alberto de Orleans e Bragança, seus descendentes
pertencem a estas duas "Casas", motivo pelo qual este
Brasão de Armas integra o Armorial Histórico da Casa
da Torre.
O QUE É O ARMORIAL HISTÓRICO DA CASA DA TORRE
Trata-se de uma coletânea monumental de Brasões de
Armas, de personalidades e de instituições integrantes
da Casa da Torre e a ela vinculadas, composta das
coleções General Walter Pires, Odebrecht, J.M. Araújo
Pinho e C.D. Avila Pires, e que exprime, plasticamente,
sua herança heráldica.
Um trabalho heráldico sem precedentes no Brasil,
o Armorial rastreia capítulos da nossa História, através
da emblemática de inúmeros dignitários e de entidades
que ajudaram a fazê-la, transportando-os de suas fontes
informativas para uma coleção técnica e visual, pela
força alegórica do equilíbrio e de suas cores, compreendendo
essas fontes, lápides, livros, documentos, objetos
pessoais, informações de famílias e arquivos de cultores
idôneos.
De alcance Multissecular e Internacional, bastante
numeroso (hoje com mais de 150 Brasões) e em ampliação,
o Armorial procura atender à dinâmica heráldica adequada
às suas épocas e estilos, atrelada ao seu uso, e está
embasado nas fontes supracitadas, especialmente na
clicheria e descrições livrescas, de padrão resumido
e universalmente em voga, obrigando a complementação
das armas, praxe de heraldistas reconhecidos, de todos
os quadrantes.
Os originais armoriados são apresentados sobre Pergaminhos
de dimensões regulares, com esmerado acabamento e
com tintas indeléveis, iluminados a ouro e prata,
trazendo devidamente manuscritas as respectivas identificações,
constituindo-se num rico patrimônio histórico, resultante
da combinação de elementos internacionais com outros
nativos.
EXPOSIÇÃO NO MUSEU HISTÓRICO DO EXÉRCITO
Em 1997 realizou-se uma Exposição Temática Militar,
do Armorial Histórico da Casa da Torre, no Museu Histórico
do Exército e Forte de Copacabana, inaugurada oficialmente
por S.A.I. Príncipe Dom Pedro de Orleans e Bragança,
na presença de várias autoridades civis e militares,
e numerosos convidados.
Esta exposição, que teve o apoio técnico da Académie
Internationale d'Héraldique, foi visitada pela Comissão
para as Comemorações do Quinto Centenário do Descobrimento
do Brasil, por inúmeras autoridades nacionais e estrangeiras
e por um público de mais de 15.000 (quinze mil) pessoas,
recebendo os mais veementes aplausos, sendo depois
transferida para o Palácio Duque de Caxias - Ministério
do Exército.
A MAIS IMPORTANTE COLEÇÃO DO NOVO
MUNDO
Segundo pareceres do Instituto Geográfico e Histórico
da Bahia e do Instituto Genealógico da Bahia, o Armorial
Histórico vem sendo executado por um dos principais
heraldistas brasileiros - o Senhor Victor Hugo Carneiro
Lopes, inicialmente discípulo do saudoso Irmão Paulo
Lachenmayer OSB, e, após o falecimento deste, seu
competente continuador. Os brasões de sua lavra são
notáveis peças de arte, vindo preencher uma grande
lacuna na área cultural e histórica do Brasil, além
de estimular o gosto pela heráldica e pela genealogia,
mormente entre os moços, aos quais é dedicado.
DEPOIMENTOS
O Caríssimo Irmão Dr Rui Vieira
da Cunha, único acadêmico da Académie
Internationale d'Heraldique, um dos mais respeitados
conhecedores do assunto, escreve.
Trata-se da linhagem de principal relevo, ainda hoje,
nos fastos nacionais, distinta sobretudo pelo patriotismo
e pelos serviços, o que se exprime plasticamente em
sua herança heráldica, das raízes européias às alianças
contraídas nos séculos vividos neste lado do Atlântico.Seu
Armorial, por conseguinte, expressa uma lição colorida
de História, em linguagem acessível independentemente
de nível cultural ou faixa etária. Colocam-se lado
a lado os eruditos e os atraídos pelo puro fascínio
da beleza brasonada, mesmo crianças.
Capacidade de comunicação à larga utilizada quer
na alegria ambiental quer no apelo turístico, como
demonstra a heraldizante Suíça. Aspectos todos a indicar
exposição permanente a par de mostras temáticas, itinerantes,
conectadas com celebrações cívicas ou mesmo meramente
de natureza familiar.
A aproximação do quinto centenário do Descobrimento
do Brasil é, sob esse ponto de vista, um estímulo
ponderável, uma preciosa ocasião para ostentar semelhante
rico patrimônio histórico, resultante da combinação
de elementos internacionais com outros nativos.
O Armorial é algo essencialmente dinâmico, quando
mais não seja pela própria marcha evolutiva dos estilos
artísticos, facilmente consultável em clássicos sem
conta. Daí sua continuidade, com forçosas ampliações
e alternativas estilísticas, ser inerente, pode-se
avançar, à própria idéia de sua criação.
Uma palavra também se impõe no que tange à execução
do Armorial, encarregada ao heraldista Victor Hugo
Carneiro Lopes. É de impostergável justiça
aqui consignar meu louvor grande por seu esplêndido
trabalho, consciencioso e com o selo da mão de mestre.
É obra artística que merece e deve ser divulgada e
conhecida, acima dos mais, pelos interessados em Heráldica.
Trata-de de um fabuloso e ilustrativo documento histórico,
de forte apelo pátrio, cujo vulto estimado é outro
fator importante, uma muito louvável iniciativa, que
merece todo o incentivo e apoio.
A Académie
Internationale d’heráldique, pelo seu presidente -
Dr. Jean-Claude Loutsch - assim se referiu
ao Armorial:
"Le relevé des armoiries de la Casa da Torre est
certainement du plus grand intérêt. Il entre dans
le programme de ce qui est prévu en Europe, mais a
en plus l'avantage d'être probablement un des plus
importants recueils, non seulement du Brésil, mais
de tout le Nouveau Monde".
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