MEMORIAL
 
Centro Cultural e de Pesquisas: HistóricoO Solar da Torre - Século XX
Projeto Informe O Centro Cultural na Imprensa

 

 


Centro Cultural e de Pesquisas do Castelo da Torre
Resumo Histórico

1989 - Em 30 de agosto de 1989 foi constituído o Centro Cultural e de Pesquisas o Castelo da Torre - CCPCTorre, por descendentes da Casa da Torre de Garcia D'Avila, uma entidade que não tem finalidade econômica, registrado no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, sob no de ordem 10694 do Livro "A" no 30, que foi declarado de Utilidade Pública pela Lei N. 2102 de 10.01.94, do Município do Rio de Janeiro, sendo seu presidente o Eng. Militar de Fortificação e Construção Christovão Dias de Avila Pires Junior.

1989-Atual -
Estudos e pesquisas foram iniciados, com o desenvolvimento do Projeto Castelo da Torre, registrando-se a realização de trabalhos técnicos e culturais, com a participação numa seqüência de conferências, palestras, reuniões, congressos e seminários, nacionais e internacionais, enfocando a importância da Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural Brasileiro, em especial, da Casa da Torre de Garcia D'Avila e locais relacionados com sua história de mais de três séculos, com a publicação de diversos trabalhos, além de entrevistas para jornais, revistas e televisão.

1989-Atual - Em 1989 foi iniciada a Base de Dados Genealógica, abrangendo desde Diogo e Catarina Alvares Caramuru, início do século XVI, contendo o tronco principal da Casa da Torre e suas principais raízes no Brasil, estendendo-se aos ramos colaterais.

1993-Atual - Foi dada continuidade à execução do Armorial Histórico da Casa da Torre, organizado e desenvolvido pelo pesquisador heráldico Victor Hugo Carneiro Lopes. Trata-se de um empreendimento monumental e inédito no Brasil, em prosseguimento, exposto inicialmente na Bahia, no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e no Rio de Janeiro, no Museu Histórico do Exército e no Palácio Duque de Caxias e no Museu da Imperial Irmandade de Nossa Senhora da Glória do Outeiro. Suas coleções iniciais, submetidas a exames, obtiveram pareceres incentivadores da sua continuidade, do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, do Instituto Genealógico da Bahia, do Museu Histórico do Exercito e do Heraldista Dr. Rui Vieira da Cunha, único brasileiro membro da Académie Internationale d'Héraldique, tendo sido incluído pala AId'H no programa para a Europa, considerando ser uma das mais importantes coleções armoriadas, não somente do Brasil, mas de todo o Novo Mundo.

 1993 - Em dezembro de 1993 foi iniciada, por iniciativa e sob a coordenação do CCPCTorre, que obteve o apoio local da Fundação Garcia D'Avila, a primeira etapa do recente processo de Restauração das Ruínas do Castelo da Torre, através do Convênio assinado em 08.DEZ.1993, entre o Ministério do Exército / Instituto Militar de Engenharia - IME e a Fundação Garcia D'Avila, tendo a interveniência da então Fundação Pró-Memória e do Centro de Pesquisas do Castelo da Torre. Teve como objetivo a execução do Levantamento Fotogramétrico do monumento, um trabalho de documentação e registro de alta precisão, pioneiro no Brasil, que teve o apoio das Organizações Odebrecht, através do Projeto Sauípe, um trabalho que foi apresentado em diversos Congressos nacionais e internacionais, no Brasil e no exterior.

1996 - Em 1996 foi desenvolvido, no âmbito da Universidade Federal da Bahia - Curso CECRE, por iniciativa e providências do CCPCTorre, o "Projeto de Viabilização da Restauração da Casa da Torre de Garcia D'Avila", a cargo do Arq. Ubirajara Mello, com o acompanhamento do presidente Christovão de Avila, que obteve o apoio local da Fundação Garcia D'Avila, proprietária do monumento Castelo da Torre. Este Projeto, submetido ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN e ao PRONAC, foi aprovado em 17.MAR.97, sendo executado sob a coordenação da 7a. CR do IPHAN.

1996 - Atendendo ao apelo das Irmãs Beneditinas Missionárias, residentes no Mosteiro da Graça, responsáveis pela guarda, manutenção e conservação, feito através da carta de 17 de junho de 1996, encarecendo ao presidente do CCPCTorre o apoio para salvar aquela relíquia histórica, necessitada de profundas obras de restauro, promovemos um movimento, junto às autoridades, estaduais, nacionais e algumas estrangeiras, iniciado no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, com uma palestra nossa e uma exposição do Armorial Histórico, em 16 de julho de 1996. Contando com a decisiva participação de paroquianos e da associação de moradores da Graça - AMOGRAÇA, foi desenvolvido o projeto de restauro, pelo IPHAN, ao qual seguiram-se as respectivas obras.

1997 - O maior e mais profundo projeto de pesquisa já realizado, no Brasil e no exterior, com a finalidade de promover o resgate da Memória e da História da Casa da Torre foi idealizado e desenvolvido pelo CCPCTorre, tendo como titular o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro - IHGB, no Rio de Janeiro. Encaminhado o projeto, pelo CCPCTorre, ao Ministério da Cultura / Programa Nacional de Apoio à Cultura - PRONAC no 96-RJ-0408-662, obteve o patrocínio da Companhia Telefônica do Rio de Janeiro - TELERJ, sendo transferido em 1998, após a conclusão da etapa de pesquisas, para a UFRJ.

1997 - Foi realizada uma Exposição Temática Militar do Armorial Histórico da Casa da Torre, no Museu Histórico do Exército e Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, inaugurada oficialmente por S.A.I. Príncipe Dom Pedro de Orleans e Bragança, na presença de várias autoridades civis e militares, e numerosos convidados. Esta exposição, que teve o apoio técnico da Académie Internationale d'Héraldique, foi visitada pela Comissão para as Comemorações do Quinto Centenário do Descobrimento do Brasil, por inúmeras autoridades nacionais e estrangeiras e por um público de mais de 15.000 (quinze mil) pessoas, recebendo os mais veementes aplausos, sendo depois transferida para o Palácio Duque de Caxias.

1999 - Em 22.JAN.1999, iniciadas as obras de Restauro, foi credenciado, pelo Instituto Geográfico e Histórico da Bahia: "o Engenheiro Militar de Fortificação e Construção Christovão Dias de Avila Pires Junior, presidente do CCPCTorre, como representante do Instituto, junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN, no tocante a aspectos histórico-culturais da Casa da Torre e ao acompanhamento do processo de restauração e de revitalização das Ruínas do Castelo Garcia D'Avila".

1999 - Foi apresentado ao Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, durante as comemorações dos 450 Anos da Fundação de Salvador e da chegada de Garcia D'Avila (1999), o trabalho intitulado A Casa da Torre de Garcia D'Avila - Século XX, que constou de uma síntese das mais importantes informações patrimoniais e notícias, sobre o monumento Castelo da Torre, fruto de extensas e minuciosas pesquisas em fontes primárias, reunindo as principais preocupações e providências de inúmeros vultos e instituições, durante o século XX, ao longo do tortuoso processo de Proteção e Revitalização do Castelo da Torre de Garcia D’Avila, a principal sede do Morgado da Torre. Como consideração final, chama a atenção para a criação de um "Parque Histórico", em andamento, recomendando um exame retrospectivo, profundo e cautelar em sua mais adequada Revitalização, uma vez que este Parque Histórico da Casa da Torre, de valor gentílico inquestionável, deverá guardar, com a irrecusável e formal garantia de sua continuidade e perenização, para a Memória de todos, o orgulho dos seus autênticos fastos e efemérides, que se inseriram profundamente nos Anais da Bahia e do Brasil. Trabalho publicado na Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. Salvador, v. 95, p. 37-50, 2000.

1999-Atual -
Desde 1999, ininterruptamente, está disponibilizada, sem finalidade lucrativa, na Internet, malgrado desalentadores obstáculos, o site <www.casadatorre.org.br>, contendo um balanceamento de texto e iconografia, que ao mesmo tempo apresenta aparatos acadêmicos e constitui material para pesquisas e para apoio à Educação, à Cultura e ao Turismo Cultural.

2001 - O CCPCTorre promoveu, coordenado pelo presidente Christovão de Avila, o projeto e a execução do Cadastro Fotogramétrico do Castelo da Torre de Garcia D’Avila, cujo objetivo foi a criação de um Protótipo de Arquivo Fotogramétrico de Monumentos e Sítios Históricos, com o estabelecimento de uma Metodologia para utilização da Fotogrametria a Curta Distância – Arquitetônica e Arqueológica –, atendendo às recomendações internacionais ICOMOS/CIPA, e às necessidades do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional-IPHAN. Foi executado com recursos do Ministério da Cultura, através do Convênio No 383/2000 – CGPRO/SPMAP Processo No 01400.007425 / 2000-16. Tendo como titular a Fundação Ricardo Franco (IME), constou da realização inicial dos trabalhos de campo, nas Ruínas do Castelo da Torre, na Bahia, seguido de trabalhos de escritório, com fins à Restituição e Ortofotos, executados no Depto. de Engenharia Cartográfica do IME-RJ, na UNESP-SP e na Univ. La Plata, Argentina. Participaram do Projeto: Fundação Ricardo Franco, Instituto Militar de Engenharia-IME, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional –IPHAN, Arquivo Nacional, Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, UNESP - Presidente Prudente-SP, Aerofoto Cruzeiro S.A. e Universidade de La Plata-Argentina, sendo o trabalho apresentado em diversos Congressos nacionais e internacionais, no Brasil e no exterior.

2002-2003 -
Foi realizada a Exposição Temática do Armorial Histórico da Casa da Torre: Da Ermida da Graça à Igreja de Nossa Senhora da Glória, no Museu da Imperial Irmandade de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, Rio de Janeiro, como parte das comemorações do Sesquicentenário do Falecimento do Visconde da Torre de Garcia D'Avila (1852/2002), que foi o primeiro Provedor, após a Independência, da Imperial Irmandade. Participaram do evento, o Colégio Brasileiro de Genealogia, o Instituto de Geografia e História Militar do Brasil, o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, o Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro, o Memorial Visconde de Mauá, o Museu da Imperial Irmandade de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, o Museu Histórico do Exército e Forte de Copacabana, tendo a assistência heráldica do Acadêmico Rui Vieira da Cunha, da Académie Internationale d'Héraldique e do Heraldista Victor Hugo Carneiro Lopes, do Instituto Genealógico da Bahia. Constaram das comemorações, eventos em Salvador-Bahia e no Rio de Janeiro.

003-2006 - As atividades culturais do presidente do CCPCTorre foram interrompidas, por motivo grave de saúde, graças a Deus 100% curado.

2005 - Foi realizada a Exposição Temática do Armorial Histórico da Casa da Torre: PARAGUASSÚ - Katherine du Brézil, durante o ano FRANÇA-BRASIL 2005, no Museu Histórico do Exército e Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, homenageando a “primeira família brasileira” e mais antiga raiz genealógica da Casa da Torre de Garcia D’Avila, no Brasil, ele – Diogo Alvares Caramurú –, primeiro representante comercial do Brasil com a França, e ela a princesa índia – Paraguaçu – filha de um cacique tupinambá, batizada no ano de 1528 em Saint-Malo (França), com o nome cristão de Katherine du Brézil (Catarina do Brasil), tendo como madrinha Catherine des Granches, esposa de Jaques Cartier, o descobridor do Canadá. Participaram do evento o Colégio Brasileiro de Genealogia, o Instituto Genealógico da Bahia e o Memorial Visconde de Mauá, que constou de uma palestra com data-show (Christovão de Avila), no auditório do Museu (45 min), tendo sido a exposição inaugurada pelo Gen Ex Francisco Roberto de Albuquerque, comandante do Exército, assistida por autoridades civis, militares e diplomáticas, brasileiras e estrangeiras.

2006 - Foi apresentado ao PRONAC o projeto do Livro de Arte - Caramuru e a Casa da Torre, que documentará o Armorial Histórico da Casa da Torre de Garcia D'Avila, um acervo monumental de Brasões de Armas, que exprime, plasticamente, em sua herança heráldica, um importante patrimônio histórico, resultante da combinação de elementos internacionais com outros nativos, considerado uma das mais importantes coleções armoriadas, não só do Brasil mas de todo o Novo Mundo. Com texto integral em português e inglês, apresentará informações históricas, genealógicas, heráldicas e patrimoniais, referentes às gerações de desbravadores, que durante três séculos participaram do devassamento e povoamento de longo trecho do território brasileiro, assim como da defesa da terra e da expulsão de piratas e invasores estrangeiros, exercendo preponderante influência sobre os destinos de nossa terra, até a Independência e constituição do Império do Brasil.

2007-Atual - Em 2007, o CCPCTorre, juntamente com parceiros seus que atuam nas áreas de educação on-line e de projetos culturais, iniciou o desenvolvendo do Projeto Informe - Caramuru e a Casa da Torre, num esforço conjunto de resgate consolidação e difusão da memória e da história da Casa da Torre de Garcia D'Avila, desde suas origens em Diogo e Catarina Alvares Caramuru, tendo como objetivo principal a geração de informações para apoio à Educação Patrimonial, à Cultura e ao Turismo.

2007-2010 - Está em preparação um programa de atividades 2007-2010, em datas comemorativas, estando confirmada a participação, em Salvador, integrando o SIMPÓSIO INTERNACIONAL BRASIL-PORTUGAL (13 a 16.mai.2008), que celebrará os 200 anos da transferência da Corte Portuguesa para o Brasil, para o qual somos convidados, integrando a Mesa 'Família e Sociedade nos tempos da Corte Portuguesa no Brasil', juntamente com o o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, o Instituto Genealógico da Bahia e o Colégio Brasileiro de Genealogia. O triênio de atividades comemorativas 2008-2010 deverá culminar com a apresentação da Ópera 'Paraguassú', composta por Junius Villeneuve, música dele e de O'Kelly, em homenagem à D. Pedro II, sendo o assunto tirado do poema épico 'Caramurú', do Frei José de Santa Rita Durão, vindo a ser representada no Teatro Lírico de Paris em 1855 e em 1888 no Círculo dos Estrangeiros, de Mônaco, sendo traduzida para o português e apresentada no Brasil (RJ) em 1860 (150 anos em 2010), depois vertida para o italiano.

Topo

Projeto Informe - Caramuru e a Casa da Torre . ..

Acervo Caramuru e a Casa da Torre
O Centro Cultural e de Pesquisa do Castelo da Torre, entidade que não tem finalidade econômica, reconhecida de utilidade pública, vem nas últimas décadas compilando, no Brasil e no exterior, informações históricas, técnicas e culturais sobre a Casa da Torre de Garcia D'Avila, desde sua mais antiga raiz genealógica no Brasil – Diogo e Catarina Alvares Caramuru –, tendo armazenado, além da documentação de alta precisão do monumento Castelo da Torre (Cadastro Fotogramétrico), antes e depois das obras de Restauro, reunindo um acervo bibliográfico, documental e iconográfico, único no País, destacando arquitetura, relíquias, imaginária religiosa, pinturas, mapas dos primeiros tempos da colonização, e da cidade do Salvador, plantas, desenhos e vistas, além de documentos reproduzidos dos principais arquivos do Rio de Janeiro, Salvador e Portugal.

Resgate e Difusão Cultural
Aprovado (jan.2007) o projeto PRONAC n. 068787, para produção do Livro de Arte - Caramuru e a Casa da Torre de Garcia D'Avila, documentando o Armorial Histórico da Casa da Torre de Garcia D'Avila, um acervo monumental de Brasões de Armas, que exprime, plasticamente, em sua herança heráldica, um importante patrimônio cultural, resultante da combinação de elementos internacionais com outros nativos, considerado uma das mais importantes coleções armoriadas, não só do Brasil mas de todo o Novo Mundo.

Com texto integral em português e inglês, apresentará informações históricas, genealógicas, heráldicas e patrimoniais, referentes às gerações de desbravadores, que durante três séculos participaram do devassamento e povoamento de longo trecho do território brasileiro, assim como da defesa da terra e da expulsão de piratas e invasores estrangeiros, exercendo preponderante influência sobre os destinos de nossa terra, até a Independência e constituição do Império do Brasil, ficando consolidadas as principais informações sobre a Casa da Torre, a partir das suas origens em Diogo e Catarina Alvares Caramuru.

Informe - Caramuru e a Casa da Torre
No final de 2006, o Centro Cultural, juntamente com parceiros seus que atuam nas áreas de educação on-line e de projetos culturais, iniciou o desenvolvimendo do Projeto Informe - Caramuru e a Casa da Torre, num esforço conjunto de consolidação da memória e da história da Casa da Torre de Garcia D'Avila, desde suas origens em Diogo e Catarina Alvares Caramuru, tendo como objetivo principal a geração de informações para apoio à Educação Patrimonial, à Cultura e ao Turismo.

O projeto tem os seguintes escopos:

1. Consolidar a história da Casa da Torre, resgatando o material levantado pelo Centro Cultural, nos últimos 20 anos, realizando o trabalho de tratamento das informações e acervos, e catalogação, complementado com as informações do projeto PRONAC n. 068787.

2. Produzir material de apoio educacional às crianças, contempladas nos empreendimentos e projetos programados e em desenvolvimento;

3. Produzir material de apoio educacional, cultural e turístico sobre a Casa da Torre, desde suas origens, notadamente para a região da Costa dos Coqoueiros, estendendo-se por todo o Nordeste, área de expansão territorial.

4. Reestruturar o site da Casa da Torre, complementando-o, em português e inglês;

5. Criar uma base de dados sobre o Complexo da Casa da Torre, acessível por um sistema de consulta inteligente e intuitivo, parte do Banco de Dados Cultural Brasileiro.

Implantação
Estão em desenvolvimento, o projeto e os entendimentos para a criação, implantação e administração de um Centro de Informações Técnicas e Culturais, dotado de um sistema de difusão e acesso inteligente de informação sobre o patrimônio histórico, arqueológico, artístico, cultural e natural da Casa da Torre de Garcia D’Ávila e assuntos relevantes com ela relacionados (cinco séculos de história), em âmbito local, regional, nacional e internacional, para suporte à educação patrimonial, à cultura e ao turismo, integrando-o com sistemas nacionais e internacionais similares, promovendo a estruturação necessária e a instalação do Centro Cultural e de Pesquisas do Castelo da Torre, na Bahia.


O Solar da Torre - Século XX Topo

A Casa da Torre de Garcia D'Avila
– Século XX

(In: Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia
n.95/2000 – Salvador - Bahia)
 

Christovão de Avila, 1999 *

. 1.      INTRODUÇÃO

O presente trabalho, registra o andamento de preocupações e providências, de vários vultos e instituições, sob ponto de vista histórico, durante o longo processo de Proteção e Revitalização da Casa da Torre de Garcia D'Avila, neste século XX, através de uma síntese das mais importantes informações e notícias, coligidas há mais de 50 anos, fruto de extensas pesquisas em fontes primárias, executadas e coordenadas, neste último decênio.

2.      BREVE HISTÓRICO

Importa consignar-se, preliminarmente, que a Casa da Torre tem como mais antiga raiz, no Brasil, Diogo e Catarina Alvares Caramurú (Paraguaçu) – primeiro casal cristão desta Terra – cuja descendência entrelaçou-se, não só na progênie de Garcia D'Avila com a Índia Francisca Rodrigues, como na geração de Jerônimo de Albuquerque com a filha da aldeia de Olinda – Muira-Ubi – Maria do Espírito-Santo Arcoverde.  Vinculou-se, mais tarde, com os descendentes de Domingos Pires de Carvalho casado com Maria da Silva, com a geração de Felipe Cavalcanti casado com Catarina de Albuquerque e na descendência do casal José Pires de Carvalho – Tereza Vasconcellos Cavalcanti de Albuquerque Deus-Dará, formando o arcabouço da aristocracia do Recôncavo Baiano.

Os quase três séculos de sua história estão aqui lembrados, através do Parecer que obteve A História da Casa da Torre, oferecida em 1931, por Pedro Calmon, ao Congresso realizado sob os auspícios do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro – IHGB:

"A memória do Dr Pedro Calmon desenvolve um dos assuntos mais interessantes da história colonial do Brasil, como seja o do devassamento e povoamento do longo trecho do nosso território, que vai da Bahia aos confins do Piauí.

A Casa da Torre de Garcia D'Avila atravessou dilatado período, que começa com Tomé de Sousa, em cuja companhia veio seu instituidor, e se prolonga aos últimos dias da Colônia. Sua significação histórica deriva da preponderante influência que a progênie mamaluca de Garcia D'Avila conseguiu exercer sobre os destinos de nossa terra.

Poderosos sesmeiros, destemidos bandeirantes, os descendentes daquele povoador conquistaram  e dominaram os sertões baianos e projetaram-se pelo interior, com Domingos Afonso Sertão e Domingos Jorge Velho, até as margens do Parnaíba.

Essa história estava por fazer. Há meio século, precisamente, o grande mestre Capistrano de Abreu lamentava que ainda não tivesse sido escrita. A contribuição do Dr Pedro Calmon, baseada em grande parte em documentação inédita, principalmente dos arquivos baianos, sobreleva, por isso mesmo, de interesse e de importância.

Aplaudindo-a, a comissão é de parecer que seja aprovada.

S. S. 28 de dezembro de 1932. - A. Tavares de Lira, presidente. - Otávio N. Brito. - Rodrigo Otávio Filho. - Félix M. P. Sampaio. - Rodolfo Garcia. - Vanderlei Pinho. - Sousa Doca. - Alfredo Ferreira Laje. - Múcio Vaz. - Alcides Bezerra. - Heloísa Alberto Tôrres. - Naíde Vasconcelos".

3.      MONUMENTO HISTÓRICO NACIONAL

Cabe ressaltar que o monumento histórico – Castelo da Torre de Garcia D'Avila – integra um conjunto residencial-militar, compreendido pelo próprio Castelo, com sua Torre e seus anexos, o Forte Garcia D'Avila, o Porto do Açu da Torre, e sua Ambiência, formada pelas áreas adjacentes, delimitadas no tombamento e na extensão posterior.

Na ficha patrimonial, do Arquivo Central do IPHAN, consta: Ministério da Educação e Saúde – Artes Eruditas Nacionais – S.P.H.A.N.; Série: Arquitetura civil-militar; Categoria: Castelo; Tombamento sob n.: 47; Em: FEV.1938; Designação: Castelo da Torre de Garcia D'Avila; Autoria: O velho Garcia D'Avila e Francisco Dias D'Avila, o 1o; Época:  Séculos XVI e XVII. A Torre data de 1551; o Castelo, dos primeiros anos de 1600.

No Livro do Tombo das Belas Artes, da Subsecretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional da Secretaria da Cultura, consta: Obra: Castelo de Garcia D'Avila; Natureza: Arquitetura Civil; No Inscrição: 43; Caráter do Tombamento: Anuência;  Data de Inscr.: 30.ABR.1938.

4.      DENOMINAÇÕES DO MONUMENTO[1]

·           Castelo da Torre de Garcia D'Avila ou Castelo Garcia D'Avila, ou simplesmente Castelo da Torre, com o sentido de "habitação senhorial fortificada", tendo outras denominações:

·           Torre de Garcia D'Avila ou Torre de Tatuapara, com o sentido de "edifício forte fabricado em alguma parte, para se acolherem n'elle do inimigo, e de lá ofenderem; casa forte, castelo";

·           Solar da Torre, ou Solar de Tatuapara;

·           Casa da Torre de Garcia D'Avila, ou simplesmente Casa da Torre. A expressão "Casa" tem aqui dois sentidos:  um, referindo-se ao "Termo antigo: Casa forte, castelo, torre"; e outro, no sentido genealógico: "figurativamente: raça, família, falando das famílias nobres, das famílias grandes".

·           Quanto à "Torre", do Castelo: trata-se de outra construção, próxima ao Castelo.

·           A denominação "Forte Garcia D'Avila" não se refere ao Castelo e sim a uma fortificação, que existiu na praia, próximo à foz do Rio Pojuca.

5.      PROPRIEDADE PARTICULAR

Foi o Solar – sede do Morgado da Torre – propriedade particular dos "Avilas", desde sua construção inicial, por Garcia D'Avila 1o.   Extinto o regime dos morgados no Brasil, pela Lei de 6 de outubro de 1835 e, em 1852, falecendo o último "Senhor e administrador do Morgado da Torre" –  Antônio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque – Barão e depois Visconde da Torre de Garcia D'Avila e sua mulher, D. Ana Maria Pires de São José e Aragão, sucedeu-lhes, na posse do Castelo, o filho Dr Domingos Pires de Carvalho e Albuquerque. Morto este, em 1888, sem descendência, a propriedade passou a seu cunhado, o Tenente-Coronel José Joaquim de Teive e Argolo, que a vendeu ao Sr Laurindo Regis. Das mãos do Sr Regis, a Torre se foi às do Dr Hermano de Santana, que dela dispôs em favor do Sr Otacílio Nunes de Sousa, proprietário do Castelo e terras adjacentes, à época do tombamento.

Embora Monumento Nacional, desde 1938, continua sendo propriedade particular, pertencendo à Fundação Garcia D'Avila. Seu Presidente é o empresário Klaus Peters.

6.      DESTRUIÇÃO

O Solar da Torre, sede do Morgado, primeira grande edificação portuguesa no Brasil, "único Castelo em estilo feudal construído na América" conforme Borges de Barros, um santuário histórico e arqueológico, abandonado em meados do século XIX, resultou em imensa Ruína. Da Torre e do Forte, os últimos vestígios desapareceram nas primeiras décadas desta centúria. A "Ruína da Baleia", ainda existente hoje, próximo à enseada de Tatuapara, contornada por edificações e não protegida, tende a desaparecer, brevemente. Do Muro "de circunvalação" e do Porto, nem mais se fala.

7.      PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO

O processo de Proteção do monumento somente foi iniciado neste Século XX. Trata-se de um longo processo que, para ser melhor analisado, apresentamos aqui sua história, numa síntese dos principais eventos, em cinco períodos, que são marcados por atividades bastante distintas:

 

1o  Período:  1900 / 1938Marcos Iniciais da Proteção

Na primeira década, temos notícia de providências de limpeza e obras de conservação na Capela, realizadas pelos então proprietários da região, que dali já exploravam a comercialização do coco.

Verificamos, durante este período, visitas ao Castelo de ilustres autoridades, historiadores e técnicos, dentre eles: Braz do Amaral[2], Borges do Reis, Godofredo Filho, Teodoro Sampaio, Wanderley Pinho e Pedro Calmon[3], que deixaram notável contribuição, sobre o Monumento.

É neste período que ocorrem os marcos iniciais do real processo de Proteção, a saber:

·       Decreto-Lei N. 1.983 de 12 de junho de 1927, proposto pelo então Deputado Pedro Calmon, "visando salvar da imminente destruição as ruínas da Torre de Garcia D'Avila", que autorizou a incorporação do Castelo da Torre de Garcia D'Avila ao patrimônio do Estado, obrigando-se o Estado a restaurá-lo num prazo de cinco anos, e a criação e manutenção, pelo Estado, de um Museu de Arte Retrospectiva e Militária Sertaneja, assim como abriu os necessários créditos para a construção de uma estrada de rodagem para acesso ao Solar, partindo de Feira Velha. Daquele decreto, no entanto, somente a rodovia fora executada, numa obra pioneira da firma Emilio Odebrecht.

·       Decreto-Lei N. 25, de 30 de Novembro de 1937, que constituiu o Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.  Dá-se, então (1938), o tombamento do Castelo da Torre de Garcia D'Avila com sua Capela de Nossa Senhora da Conceição, tendo como base um relatório do Prof Godofredo Filho.

 

2o  Período:  1939 / 1970 – Extensos trabalhos de Proteção

No decorrer deste período, a ação do DPHAN, em defesa do monumento, fez-se sentir freqüentemente, através de serviços de limpeza, de consolidação e de impermeabilização de muralhas.

Datam dos anos 50–60 os mais extensos trabalhos de preservação do monumento, conforme se verifica nos relatórios detalhados e na farta documentação fotográfica, anexada à correspondência do engenheiro Pedro Ghisland, responsável pelas obras.

Entretanto, declara o Arq Fernando Machado Leal, que teve ali participação atuante: "... pode-se constatar a excelência dos serviços de consolidação e de complementação dos maciços, realizados em 1958–1959, no geral. Apenas, é de lamentar-se a interrupção, por falta de verba ...".

Estudos foram desenvolvidos, neste período, que resultaram relatórios minuciosos, de técnicos e de intelectuais da estirpe de Lúcio Costa, Carlos Drummond de Andrade, José de Souza Reis, Paulo Santos, Renato Soeiro, Luís Saia, Sylvio de Vasconcelos, Lygia Martins Costa, Ayrton Carvalho e outros. Destaca-se, ainda, a participação de Rodrigo de Melo Franco, fundador e primeiro Dirigente Nacional do "Patrimônio" e de Godofredo Filho, primeiro chefe do então 2o Distrito (DPHAN).

 

3o  Período:  1971 / 1995   Parque Histórico

São do Arq Diógenes Rebouças o projeto que orientou o DERBA, quanto ao traçado da estrada que passa próximo ao Castelo e o importante trabalho Delimitação de Proteção da área da Casa da Torre e Capela anexa, com uma proposta para criação do Parque Histórico Garcia D'Avila, que recebeu o endosso do Conselho Estadual de Cultura.

Este período foi marcado por intensa atividade administrativa, conseqüência de demandas, relacionadas com aprovação de Loteamento, pretendido pelos Proprietários, na área tombada e, de outro lado, o Patrimônio, com a preocupação de Proteção  ao Monumento Nacional e sua Ambiência.

Uma história, que abrange uma série de eventos, cuja síntese cronológica apresentamos adiante[4]:

·         ABR.1971 - Aquisição da Fazenda Praia do Forte pelos senhores Wilhelm Hermann Klaus Peters, Detlef Anreas Manfred Peters e Mario Barbosa Ferraz.

·         1974 - Entendimentos do Comandante da VI Região Militar – General Heitor Fontoura de Morais – com os Ministros da Educação e do Planejamento, conseguindo a verba inicial para preservação das ruínas do Castelo e restauração da Capela.

·         10.OUT.1974 - Relatório do Arq José de Souza Reis MEC/IPHAN.

·         02.MAR.1975 - Em solenidade, realizada às 11 horas no palácio da Aclamação, o Governador Antonio Carlos Magalhães assina decretos da maior importância para o desenvolvimento turístico e industrial da Bahia, iniciado pelo que criou o PRONATUR – Programa Estadual de Proteção à Natureza. Neste decreto, são consideradas de utilidade pública para fins de desapropriação áreas particulares, e reservadas as públicas, necessárias à implantação dos Parques Florestais e Reservas Ecológicas, dentre eles o Parque Florestal e Reserva Ecológica de Garcia D'Avila, nos Municípios de Camaçarí e Mata de São João, com uma área de 900 ha.

·         24.MAI.1975 - Proposta do Arq Mario Mendonça, para delimitação de área "non aedificanti".

·         24.MAI.1976 - Parecer do Arq Mario Mendonça, sobre o estudo preliminar para um Polo de Desenvolvimento Turístico na Fazenda Praia do Forte:

"...Considerando a importância do Monumento e as características da área onde está situado, qualquer proposta de reanimação e utilização desta área, deveria considerá-la como Parque Histórico para visitação e lazer público, ...".

·         1976 - O Conselho Estadual de Cultura da Bahia dirige-se ao Conselho Federal de Cultura, propondo a criação de um Parque Histórico Nacional de Garcia D'Avila, com vistas à proteção e à revitalização do monumento e de sua ambiência.

·         JUL.1976 - No Encontro Nacional de Cultura, realizado na Bahia, o Conselho Estadual de Cultura propõe a criação do Parque Histórico Nacional de Garcia D'Avila.

·         25.NOV.1976 - Informação no 244 MEC/IPHAN do Arq Antonio Carlos da Silva Telles.

·         15.JAN.1977 - Informação no 25 MEC/IPHA, da Arq Lygia Martins Costa. 

·         05.SET.1977 - Aprovada pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional a proposta de extensão do tombamento.

·         1977 - Levantamento fotogramétrico preliminar, das ruínas do Castelo da Torre, pelo Arq Mário Mendonça, juntamente com o Prof italiano Ivan Chiaverini, atendendo às recomendações internacionais da Carta de Veneza e do International Council on Monuments and Sites – ICOMOS.

·         05.SET 1977 - Aprovação, no Conselho Consultivo, da proposta de extensão do tombamento:

"... com a construção de rodovia e a existência de projeto para ocupação da mencionada área para fins turísticos, ambos os planos, como se acham propostos, acarretam graves prejuízos ao conjunto paisagístico, sendo, por isto mesmo, louvável a idéia da criação do "Parque Histórico da Casa da Torre de Garcia D'Avila".

·         1978 - Proprietários se dirigem ao Ministro, solicitando a não homologação da extensão do tombamento.

·         07.MAR.1979 - Parecer No 5/1.979 do Dr Raimundo Marcos Veloso – Assessor Jurídico – MEC/IPHAN. Resposta ou contradita aos termos da impugnação apresentada por Mario Barbosa Ferraz e Outros, contra o Parecer emitido pelo Conselho Consultivo de IPHAN, no proc. no 128-T-38, que conclui pela conveniência de extensão do tombamento da Casa da Torre de Garcia D'Avila, em Mata de São João.

·         08.OUT.79 - Informação no 167 MEC/IPHAN, do Arq José de Souza Reis. Análise do projeto de pesquisa de Arqueologia Histórica, de autoria do Dr Ulisses Pernambucano, de Recife e estudo técnico, do Arq Fernando Machado Leal, visando à estabilização das ruínas.

·         NOV.1979 - "Projeto de loteamento é apresentado à Prefeitura de Mata de São João e aprovado no mês seguinte". In Parecer do Arq Cyro I. C. O. Lyra, de 06.SET.1983.

·         14.JUL.81 - Informação no 88, do Arq Antonio Pedro Gomes de Alcantara – MEC/SPHAN/FNPM: "O projeto proposto invalida a criação do Parque Florestal e Reserva de Garcia D'Avila na área delimitada pelo Conselho Consultivo do IPHAN, atualmente em fase de homologação pelo Ministro da Educação e Cultura".

·         10.AGO.1981 - O Conselho rejeita a impugnação.

·         26.AGO.1981 - É instituída, pelos proprietários do monumento e áreas adjacentes,  a Fundação Garcia D'Avila, por Escritura Pública lavrada nas Notas do Tabelião Antonio de Souza Gomes, do Distrito de Itanagra, Comarca e Mata de São João, Estado da Bahia, às fls 37V - 41 do livro no 03.

·         28.SET.81- Diário Oficial, p 18.179. - É homologada a extensão do tombamento do Castelo da Torre de Garcia D'Avila e sua Capela de Nossa Senhora da Conceição.

·         OUT.1981 - Os proprietários recorrem ao Secretário de Cultura pedindo reconsideração da deliberação do Conselho Consultivo.

·         06.DEZ.1981 - É celebrado um acordo, entre o Diretor Regional do SPHAN e os proprietários.

·         30.JUL.1982 - Laudo Pericial do Inquérito Policial sobre os "prejuízos provocados pelo loteamento da área circundante à Casa da Torre de Garcia D'Avila".

·         SET.1982 - Encaminhamento, à SPHAN, do projeto do Clube Hotel.

·         JAN.1983 - Informação do Setor de Arqueologia, condicionando o projeto de construção do Clube Hotel a escavações arqueológicas, antes do início das obras.

·         17.JAN.1983 - Informação 06/83 da Arq Lia Motta. Assunto: Robinson Clube Praia do Forte, em área tombada pela SPHAN, nas imediações da Torre de Garcia D'Avila – Mata de São João, onde é relatado "um impecílio à aprovação do projeto, tendo em vista a necessidade de escavações arqueológicas no terreno em questão".

·         ABR.1983 - A firma LANDCO – Empreend. Imobiliários encaminha novo projeto de loteamento.

·         06.SET.1983 - Parecer do Arq Cyro I. C. O. Lyra. Análise do novo projeto de urbanização:

"... acreditamos que o melhor caminho será o de reafirmar a idéia de um Parque, cujos objetivos são o ponto de partida para a sua delimitação: a preservação paisagística do conjunto castelo-colina-mar e a preservação da memória histórica, e o que esse conjunto, e não apenas o "Castelo", representa como marco da conquista, ocupação e domínio da região".

·         12.SET.1983 - Ata da 103a Reunião Ordinária do Conselho Consultivo do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional:

"O Conselheiro Pedro Calmon pediu a palavra para lembrar que, em 1928, visitando o local, encontrou restos de um forte existente na praia e disse de sua estranheza pela inexistência de referência a este forte, na proposta do IPHAN. Acrescentou ser a idéia de reunir a ruína ao mar uma exigência do ponto de vista histórico, por ser a enseada onde eles estão localizados, a única existente entre o Rio Real e a Bahia de Todos os Santos, tendo sido ali que a esquadra holandesa estacionou quando, em 1647, ocupou Itaparica. Acrescentou que, sendo as vias de comunicação daquela época marítimas, e não terrestres, a ligação da Casa da Torre com o mar, continua imprescindível, sob pena de prejudicar-se a ambiência do bem tombado, o que viria contra a jurisprudência do Conselho. Apresentou, assim, seu voto a favor das conclusões do relatório da SPHAN, o que foi aprovado por todos os Conselheiros, sendo autorizada a SPHAN a prosseguir no assunto dentro da orientação de ser a ligação entre as ruínas e o mar, essencial”.

·         05.JAN.1984 - Inspeção do Arq José de Souza Reis.

·         12.ABR.1985 - Informação 47/85 - Relatório do Arq Cyro I. C. O. Lyra.

·         1983/89 - Estudos acadêmicos IFCS/UFRJ e FAU/USP da Arq Sonia Ricon Baldessarini.

Neste período, os proprietários da região, sob a liderança do empresário Klaus Peters, iniciam a exploração turística e hoteleira na região, verificando-se alguns cuidados especiais para com o uso do solo e com a preservação do ecossistema, destacando-se uma Reserva Ecológica e o apoio, desde sua criação, ao Projeto Tamar.  Quanto ao monumento, a Fundação Garcia D'Avila, após sua criação, vem executando trabalhos de limpeza e de vigilância, na ruína e no seu entorno, apesar das dificuldades decorrentes da natureza do Solar, desprotegido da ação das intempéries e de depredações.

 

4o  Período:  1989 / 1999 – Viabilização da Restauração

Em 30 de agosto de 1989 é constituído, por descendentes da Casa da Torre, o Centro Cultural  e de Pesquisas do Castelo da Torre – CCPCTorre, registrado no Registro Civil de Pessoas Jurídicas sob no de ordem 10694 do Livro “A” no 30, declarado de Utilidade Pública pela Lei N. 2102  de 10.01.94, do Município do Rio de Janeiro. Seu presidente é o Eng. Militar Christovão Dias de Avila Pires Junior.

Iniciam-se estudos e pesquisas, com o desenvolvimento do Projeto Castelo da Torre, registrando-se uma seqüência de conferências, reuniões, congressos e seminários, no país e no estrangeiro,  enfocando a importância da Preservação do Patrimônio Histórico Brasileiro, em especial, da Casa da Torre, com diversos trabalhos publicados, além de entrevistas para jornais, revistas e televisão.

Em 1993 - É iniciada, pelo CCPCTorre, a execução do Armorial Histórico da Casa da Torre, organizado e desenvolvido pelo pesquisador heráldico Victor Hugo Carneiro Lopes. Trata-se de um empreendimento monumental e inédito no Brasil, já exposto na Bahia, no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e no Rio de Janeiro, no Museu Histórico do Exército e no Palácio da Guerra. Suas coleções iniciais, submetidas a exames, obtiveram pareceres favoráveis e incentivadores da sua continuidade, do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, do Instituto Genealógico da Bahia, do Museu Histórico do Exercito e da Académie Internationale d’Héraldique:

Le relevé des armoiries de la Casa da Torre est certainement du plus grand intérêt. Il entre dans le programme de ce qui est prévu en Europe, mais a en plus l’avantage d’être probablement un des plus importants recueils, non seulement du Brésil, mais de tout le Nouveau Monde.  Dr Jean-Claude LoutschLe Président.

Em dezembro de 1993 inicia-se a primeira etapa do atual processo de Restauração das Ruínas do Castelo, com o Convênio assinado em 08.DEZ.1993, entre o Ministério do Exército, através do Instituto Militar de Engenharia – IME e a Fundação Garcia D’Avila, com a interveniência da então Fundação Pró-Memória e do Centro de Pesquisas do Castelo da Torre, sendo executado um acurado levantamento fotogramétrico do monumento. Este trabalho de documentação e registro de alta precisão, pioneiro no Brasil, teve o apoio das Organizações Odebrecht, através do Projeto Sauípe, sendo apresentado em diversos Congressos nacionais e internacionais.

Em 17 de dezembro de 1993 é inaugurada a Linha Verde, conhecida como “Estrada Ecológica”, pelo então Governador Antônio Carlos Magalhães, que, no seu discurso de inauguração lembrou:

A História do Brasil está sendo reescrita. Por aqui passaram, há 445 anos, os conquistadores e colonizadores do Nordeste, conduzidos por Garcia D'Avila, seguindo o plano de ocupação do Brasil, traçado pelo rei de Portugal D. João III – o Regimento de 17 de dezembro de 1548 ...”.

Em 1996 é desenvolvido, no âmbito da Universidade Federal da Bahia – CECRE, o Projeto de Viabilização da Restauração da Casa da Torre de Garcia D'Avila, a cargo do Arq Ubirajara Mello, por iniciativa do presidente do CCPCTorre, que teve o acompanhamento, com o apoio local da Fundação Garcia D'Avila, sendo aprovado em 17.MAR.97 pela 7a CR do IPHAN – Ofício no 230/97.

Nos primeiros meses de 1996 o Arq Paulo Ormindo de Azevedo, que é membro do International Council on Monuments and Sites – ICOMOS, registra um importante estudo, com sua preocupação[5]:

"... O monumento corre o risco de, pressionado pela opinião pública, o Estado intervir precipitadamente para evitar seu desaparecimento sem os estudos e cautelas necessários, destruindo valores históricos e estéticos, como infelizmente tem ocorrido ...l.

Não estamos advogando que devamos intervir em um monumento sem um razoável conhecimento histórico do mesmo, senão que existem outras fontes que, conjuntamente com as escritas e gráficas podem permitir a reconstrução da história de um monumento. Refiro-me à sua leitura arquitetônica e à pesquisa arqueológica de seu subsolo.

... São questões fundamentais, não só para o esclarecimento da própria história do monumento, como para o encaminhamento de sua restauração. ..."

1997 - Um projeto de pesquisa no Brasil e no exterior, promovendo o resgate da Memória e da  História da Casa da Torre, é desenvolvido pelo CCPCTorre, tendo como titular o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Aprovado no MinC/PRONAC, recebeu o apoio cultural da TELERJ, no Rio de Janeiro, sendo transferido em 1998 para UFRJ, que se encarregou da sua conclusão.

Em 27.JAN.98 - Na 2a Sessão Plenária Ordinária do Conselho Estadual de Cultura, manifestam-se sobre a criação de um Parque Nacional ou Estadual, na área da Torre de Garcia D'Avila, os Conselheiros Fernando Rocha Peres, Edivaldo Boaventura, Renato Berbert de Castro, Manuel Veiga,  Ary Guimarães, Coelho Fontes e Renato Ferraz, sendo lembrado: "ser revisto o processo sobre o assunto, no IPHAN, que já fez, neste sentido, tentativa" e, "que a instalação de um Parque naquele local tem significação histórica para todos os baianos que conhecem a saga dos Avilas".

Estudos e projetos de empreendimentos urbanísticos e hoteleiros são desenvolvidos para a região, objeto de consultas e entendimentos com o IPHAN.

Em 16.DEZ.98 - Um Termo de Cooperação Técnica foi firmado entre o IPHAN e a Fundação Garcia D'Avila, regulando o "desenvolvimento de ações conjuntas, voltadas para a realização da restauração e preservação do monumento tombado ... ". Publicado no DOU No 13 de 20.JAN.1999.

Registramos, poucos quilômetros ao norte do Castelo, em terras que pertenceram à Casa da Torre até o século passado, a construção de um sofisticado complexo turístico internacional – O megaresort Costa do Sauípe, situado na Sesmaria de Sauípe, recebida, em 1625, por Francisco Dias de Avila Caramurú – Senhor da Torre de Tatuapara – neto e herdeiro de Garcia D'Avila 1o. Um dos empreendimentos denomina-se Pousada Casa da Torre, em alusão à história das suas terras, que pertenceram àquele que, em 1624, levou a termo a construção da Casa da Torre de Garcia D'Avila.

 

5o  Período:  1999 / 2000 – Atual Processo de Proteção e Revitalização

Ao final do século e do milênio, surge, no Calendário Gratular da Casa da Torre, a Restauração deste Solar multissecular e glorioso, integrada às Comemorações dos Fastos de 1549, na Bahia, em que se festejam os 450 anos da Fundação da Cidade do Salvador e da chegada de Garcia D'Avila a essa Metrópole e, ainda, incorporada às solenidades do V Centenário do Descobrimento do Brasil.

Em 22.JAN.1999, é credenciado, pelo Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, "o Engenheiro Militar de Fortificação e Construção Christovão Dias de Avila Pires Junior, como seu representante, junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, no tocante a aspectos histórico-culturais da Casa da Torre e ao acompanhamento do processo restauração e revitalização das Ruínas do Castelo Garcia D'Avila". A Credencial é encaminhada, pelo IPHAN – 7a SR, à Fundação Garcia D'Avila, através do Ofício no 033/99 de 25.JAN.1999.

As atividades de obras, no Castelo, foram iniciadas no início de MARÇO deste ano de 1999, designado, pelo IPHAN, o Arq Francisco de Assis Salgado de Santana, para fiscalizar, tecnicamente, todas as fases do projeto, sendo a primeira licença para início dos trabalhos dada, pelo IPHAN 7a SR, dia 08.JUN.1999, para os serviços preliminares de Arqueologia, na área do futuro Centro de Recepção.

Existem dois projetos aprovados, junto ao MinC – PRONAC/MECENATO, pela Fundação Garcia D'Avila, sendo autorizada a captação de recursos, uma parte já obtida e em aplicação.

8.      CONSIDERAÇÕES FINAIS

 8.1 - Processo de Proteção

O presente registro histórico, sintético e ordenado, proporciona uma visão geral do processo de Proteção da Casa da Torre, ao longo do Século XX, anotando as preocupações e providências, de vários vultos e instituições, possibilitando uma análise profunda e cuidadosa dos acontecimentos, sob a ótica atual.

 8.2 - Centro de Memória

O acervo documental, museológico, iconográfico e de fontes bibliográficas, que vem sendo coligido e identificado pelo CCPCTorre, complementado pelo Armorial Histórico da Casa da Torre, hoje com mais de cem Brasões de Armas e, incluído pela Académie Internationale d’Héraldique "no programa da Europa como a mais importante coleção não só do Brasil mas de todo o Novo Mundo", já constitui o Centro de Memória da Casa da Torre, cujo funcionamento será contínuo e incansável.

 8.3 - Revitalização

Encontra-se, em andamento, um amplo programa de Restauração e Revitalização, que tem como titular a Fundação Garcia D'Avila, em parceria com as Fundações Luís Eduardo Magalhães e Roberto Marinho e com a participação do Estado da Bahia, do Governo Federal e de Empresas.  Viabilizado, graças ao decisivo apoio do Senador Antonio Carlos Magalhães, prenuncia outras providências mais abrangentes, de irrecusável difusão, tudo a benefício da memória verdadeira e da justeza dos conceitos histórico-culturais da Casa da Torre e do emergente Turismo Histórico internacional, que se desenvolve ao longo da imponente Linha Verde, litoral norte da Bahia.

 8.4 - Continuidade e Perenização

Inúmeras vezes pensada e discutida, a criação de um "Parque Histórico" reclama, agora, exame retrospectivo, profundo e cautelar em sua mais adequada Revitalização, para a qual concorre, modestamente, este trabalho. Vale acoplar ao assunto, que alguns cuidados e obstáculos, documentados e superados no passado, jazem esquecidos e espalhados nos arquivos de Instituições, em Brasília, Salvador e Rio de Janeiro, inseridos em registros esparsos.

De valor gentílico inquestionável, este Parque Histórico da Casa da Torre deverá guardar, com a irrecusável e formal garantia de sua continuidade e perenização, para a Memória de todos, o orgulho dos seus autênticos fastos e efemérides, que se inseriram profundamente nos Anais da Bahia e do Brasil.

 

9.      NOTA E BIBLIOGRAFIA

Dispomos da bibliografia citada, além de farta documentação sobre o tema e, de todas as fontes primárias referidas, dispomos de cópias.



[1] VIEIRA, Domingos. Definições: Grande Dicionário Portuguez - Thesouro da Lingua Portugueza,, Editores Ernesto Chardron e Bartholomeu H. de Moraes, Porto,  1871. vol. II  p.130, vol. II p. 137 e vol. V p. 774.
[2] BARROS, Borges de. Bandeirantes e Sertanistas Bahianos, 1919, Bahia, Imprensa Oficial do Estado, 224p.
[3] CALMON, Pedro. História da Casa da Torre, Coleção Documentos Brasileiros no 22, Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1939, 251p.
[4] Inúmeros Relatórios, Informações e Pareceres.
[5] AZEVEDO, Paulo Ormindo. As Três Etapas do Paço dos Ávilas em Tatuapara, In Revista da Academia de Letras da Bahia, No 42, Salvador, BA, março de 1996. Pp 157-174.


(*) Trabalho executado pelo Engenheiro Militar de Fortificação e Construção Christovão Dias de Avila Pires Junior, Presidente do Centro Cultural e de Pesquisas do Castelo da Torre, e apresentado, ao IGHB em 1999, por ocasião das comemorações dos 450 anos da Fundação da Cidade do Salvador e da chegada de Garcia D'Avila.

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O Centro Cultural na Imprensa
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ASSUNTO
PUBLICAÇÃO

Preciosidade histórica vai ser restaurada

Jornal do Comércio, Rio de Janeiro - RJ, 1989-24-10

Castelo da Torre: Socorro urgente

Jornal do Comércio, Rio de Janeiro - RJ, 1990-30-06

Nova técnica de restauro

Jornal do Comércio, Rio de Janeiro - RJ, 1991-02-12

Castelo será restaurado para instalação de museu histórico

Jornal A TARDE, Salvador - BA, 1991-23-12

Castelo foi tema de conferência

Tribuna de Petrópolis, Rio de Janeiro- RJ, 1992-26-01

Este verão é Forte

VEJA Bahia, Salvador - BA, 1992-22-01

Castelo da Torre de Garcia D'Avila

Jornal A TARDE, Salvador - BA, 1992-12-02

Contribuição cartográfica ao patrimônio histórico

Noticiário do Exército, Brasília - DF, 1992-11-03

Começa a ser viabilizada a recuperação de castelo

Jornal A TARDE, Salvador - BA, 1993-17-11

Convênio viabiliza estudos para recuperação de casteloa

Jornal A TARDE, Salvador - BA, 1993-29-11

General visita ruínas do Castelo Garcia D'Avila

Jornal A TARDE, Salvador - BA, 1994-27-04

Abade pede reforma da Igreja da Graça

Jornal A TARDE - Salvador, Bahia, 1999-01-27

Missa lembra valor histórico da índia Catarina Paraguaçu

Correio da Bahia - Salvador, Bahia, 1999-01-27

D. Brites, a capitoa

Jornal A TARDE, Salvador - BA, 2000-03-06

Artigo / A Casa da Torre de Garcia D'Ávila

Correio da Bahia - Salvador, Bahia, 2000-06-04

Casa da Torre: resgate da forma original

Correio da Bahia - Salvador, Bahia, 2000-06-04

Aqui Salvador/ Monumento Documentado

Correio da Bahia - Salvador, Bahia, 2000-01-17

O papel da Casa da Torre