O presente trabalho, registra o andamento de preocupações
e providências, de vários vultos e instituições, sob ponto de vista histórico,
durante o longo processo de Proteção e Revitalização da Casa da Torre de Garcia
D'Avila, neste século XX, através de uma síntese das mais importantes informações
e notícias, coligidas há mais de 50 anos, fruto de extensas pesquisas em fontes
primárias, executadas e coordenadas, neste último decênio.
2. BREVE
HISTÓRICO
Importa consignar-se, preliminarmente, que a Casa da Torre
tem como mais antiga raiz, no Brasil, Diogo e Catarina Alvares Caramurú (Paraguaçu)
– primeiro casal cristão desta Terra – cuja descendência entrelaçou-se, não só
na progênie de Garcia D'Avila com a Índia Francisca Rodrigues, como na geração
de Jerônimo de Albuquerque com a filha da aldeia de Olinda – Muira-Ubi – Maria
do Espírito-Santo Arcoverde. Vinculou-se, mais tarde, com os descendentes
de Domingos Pires de Carvalho casado com Maria da Silva, com a geração de Felipe
Cavalcanti casado com Catarina de Albuquerque e na descendência do casal José
Pires de Carvalho – Tereza Vasconcellos Cavalcanti de Albuquerque Deus-Dará, formando
o arcabouço da aristocracia do Recôncavo Baiano.
Os quase três séculos de sua história estão aqui lembrados,
através do Parecer que obteve A História
da Casa da Torre, oferecida em 1931, por Pedro Calmon, ao Congresso realizado
sob os auspícios do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro – IHGB:
"A memória do Dr Pedro Calmon desenvolve um dos assuntos mais interessantes
da história colonial do Brasil, como seja o do devassamento e povoamento do longo
trecho do nosso território, que vai da Bahia aos confins do Piauí.
A Casa da Torre
de Garcia D'Avila atravessou dilatado período, que começa com Tomé de Sousa, em
cuja companhia veio seu instituidor, e se prolonga aos últimos dias da Colônia.
Sua significação histórica deriva da preponderante influência que a progênie mamaluca
de Garcia D'Avila conseguiu exercer sobre os destinos de nossa terra.
Poderosos sesmeiros, destemidos bandeirantes, os descendentes daquele
povoador conquistaram e dominaram os sertões
baianos e projetaram-se pelo interior, com Domingos Afonso Sertão e Domingos Jorge
Velho, até as margens do Parnaíba.
Essa história
estava por fazer. Há meio século, precisamente, o grande mestre Capistrano de
Abreu lamentava que ainda não tivesse sido escrita. A contribuição do Dr Pedro
Calmon, baseada em grande parte em documentação inédita, principalmente dos arquivos
baianos, sobreleva, por isso mesmo, de interesse e de importância.
Aplaudindo-a,
a comissão é de parecer que seja aprovada.
S. S. 28 de dezembro
de 1932. - A. Tavares de Lira, presidente. - Otávio N. Brito. - Rodrigo Otávio
Filho. - Félix M. P. Sampaio. - Rodolfo Garcia. - Vanderlei Pinho. - Sousa Doca.
- Alfredo Ferreira Laje. - Múcio Vaz. - Alcides Bezerra.
- Heloísa Alberto Tôrres. - Naíde Vasconcelos".
3. MONUMENTO
HISTÓRICO NACIONAL
Cabe ressaltar que o monumento histórico – Castelo da Torre
de Garcia D'Avila – integra um conjunto residencial-militar,
compreendido pelo próprio Castelo, com sua Torre e seus anexos, o Forte
Garcia D'Avila, o Porto do Açu da Torre, e sua Ambiência, formada pelas áreas
adjacentes, delimitadas no tombamento e na extensão posterior.
Na ficha patrimonial, do Arquivo Central do IPHAN, consta:
Ministério da Educação e Saúde – Artes Eruditas Nacionais – S.P.H.A.N.; Série:
Arquitetura civil-militar; Categoria: Castelo; Tombamento sob n.: 47; Em: FEV.1938;
Designação: Castelo da Torre de Garcia D'Avila; Autoria:
O velho Garcia D'Avila e Francisco Dias D'Avila, o 1o; Época:
Séculos XVI e XVII. A Torre data de 1551; o Castelo, dos primeiros anos
de 1600.
No Livro do Tombo das
Belas Artes, da Subsecretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional da
Secretaria da Cultura, consta: Obra: Castelo de Garcia D'Avila; Natureza:
Arquitetura Civil; No Inscrição: 43;
Caráter do Tombamento: Anuência; Data de
Inscr.: 30.ABR.1938.
4. DENOMINAÇÕES
DO MONUMENTO[1]
·
Castelo da Torre de Garcia D'Avila ou Castelo Garcia D'Avila, ou simplesmente Castelo da Torre,
com o sentido de "habitação senhorial
fortificada", tendo outras denominações:
·
Torre de Garcia D'Avila
ou Torre de Tatuapara, com o sentido de "edifício forte fabricado em alguma parte, para
se acolherem n'elle do inimigo, e de lá ofenderem;
casa forte, castelo";
·
Solar da Torre, ou
Solar de Tatuapara;
·
Casa da Torre de
Garcia D'Avila, ou simplesmente Casa da Torre. A expressão "Casa" tem aqui dois sentidos:
um, referindo-se ao "Termo antigo: Casa forte, castelo, torre";
e outro, no sentido genealógico: "figurativamente:
raça, família, falando das famílias nobres, das famílias grandes".
·
Quanto à "Torre",
do Castelo: trata-se de outra construção, próxima ao Castelo.
·
A denominação
"Forte Garcia D'Avila" não
se refere ao Castelo e sim a uma fortificação, que existiu na praia, próximo à
foz do Rio Pojuca.
5. PROPRIEDADE
PARTICULAR
Foi o Solar – sede do Morgado da Torre
– propriedade particular dos "Avilas", desde sua construção inicial,
por Garcia D'Avila 1o. Extinto
o regime dos morgados no Brasil, pela Lei de 6 de outubro de 1835 e, em 1852,
falecendo o último "Senhor e administrador do Morgado da Torre" –
Antônio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque – Barão e depois Visconde
da Torre de Garcia D'Avila e sua mulher, D. Ana Maria Pires de São José e Aragão,
sucedeu-lhes, na posse do Castelo, o filho Dr Domingos Pires de Carvalho e Albuquerque.
Morto este, em 1888, sem descendência, a propriedade passou a seu cunhado, o Tenente-Coronel
José Joaquim de Teive e Argolo, que a vendeu ao Sr Laurindo
Regis. Das mãos do Sr Regis, a Torre se foi às do Dr Hermano de Santana, que dela
dispôs em favor do Sr Otacílio Nunes de Sousa, proprietário do Castelo e terras
adjacentes, à época do tombamento.
Embora Monumento Nacional, desde 1938, continua sendo propriedade
particular, pertencendo à Fundação Garcia
D'Avila. Seu Presidente é o empresário Klaus Peters.
6. DESTRUIÇÃO
O Solar da Torre, sede do Morgado, primeira grande edificação
portuguesa no Brasil, "único Castelo
em estilo feudal construído na América" conforme Borges de Barros, um
santuário histórico e arqueológico, abandonado em meados do século XIX, resultou
em imensa Ruína. Da Torre e do Forte, os últimos vestígios desapareceram nas primeiras
décadas desta centúria. A "Ruína da Baleia", ainda existente hoje, próximo
à enseada de Tatuapara, contornada por edificações e não protegida, tende a desaparecer,
brevemente. Do Muro "de circunvalação" e do Porto, nem mais se fala.
7. PROTEÇÃO
DO PATRIMÔNIO
O processo de Proteção do monumento somente foi iniciado neste
Século XX. Trata-se de um longo processo que, para ser melhor
analisado, apresentamos aqui sua história, numa síntese dos principais eventos,
em cinco períodos, que são marcados por atividades bastante distintas:
1o Período:
1900 / 1938 – Marcos Iniciais da Proteção
Na primeira década, temos notícia de providências de limpeza
e obras de conservação na Capela, realizadas pelos então proprietários da região,
que dali já exploravam a comercialização do coco.
Verificamos, durante este período, visitas ao Castelo de ilustres
autoridades, historiadores e técnicos, dentre eles: Braz do Amaral[2], Borges
do Reis, Godofredo Filho, Teodoro Sampaio, Wanderley Pinho e Pedro Calmon[3], que deixaram
notável contribuição, sobre o Monumento.
É neste período que ocorrem os marcos iniciais do real processo
de Proteção, a saber:
·
Decreto-Lei N. 1.983 de 12 de junho de 1927, proposto pelo então Deputado Pedro Calmon, "visando salvar da imminente
destruição as ruínas da Torre de Garcia D'Avila", que autorizou a incorporação
do Castelo da Torre de Garcia D'Avila ao patrimônio do Estado, obrigando-se o
Estado a restaurá-lo num prazo de cinco anos,
e a criação e manutenção, pelo Estado, de um Museu de Arte Retrospectiva e Militária
Sertaneja, assim como abriu os necessários créditos para a construção de uma estrada
de rodagem para acesso ao Solar, partindo de Feira Velha. Daquele decreto, no
entanto, somente a rodovia fora executada, numa obra pioneira da firma Emilio
Odebrecht.
·
Decreto-Lei N. 25, de 30 de Novembro de 1937, que constituiu o Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Dá-se, então (1938), o tombamento do Castelo
da Torre de Garcia D'Avila com sua Capela de Nossa Senhora da Conceição,
tendo como base um relatório do Prof Godofredo Filho.
2o Período: 1939 / 1970 – Extensos trabalhos de Proteção
No decorrer deste período, a ação do DPHAN, em defesa do monumento,
fez-se sentir freqüentemente, através de serviços de limpeza, de consolidação
e de impermeabilização de muralhas.
Datam dos anos 50–60 os mais extensos trabalhos de preservação
do monumento, conforme se verifica nos relatórios
detalhados e na farta documentação fotográfica, anexada à correspondência do engenheiro
Pedro Ghisland, responsável pelas obras.
Entretanto, declara o Arq Fernando Machado
Leal, que teve ali participação atuante: "... pode-se constatar a excelência dos serviços de consolidação e de complementação
dos maciços, realizados em 1958–1959, no geral. Apenas, é de lamentar-se a interrupção,
por falta de verba ...".
Estudos foram desenvolvidos, neste período, que resultaram
relatórios minuciosos, de técnicos e de intelectuais da estirpe de Lúcio Costa,
Carlos Drummond de Andrade, José de Souza Reis, Paulo Santos, Renato Soeiro, Luís Saia, Sylvio de Vasconcelos,
Lygia Martins Costa, Ayrton Carvalho e outros. Destaca-se, ainda, a participação
de Rodrigo de Melo Franco, fundador e primeiro Dirigente Nacional do "Patrimônio"
e de Godofredo Filho, primeiro chefe do então 2o Distrito (DPHAN).
3o Período:
1971 / 1995 – Parque
Histórico
São do Arq Diógenes Rebouças o projeto que orientou o DERBA,
quanto ao traçado da estrada que passa próximo ao Castelo e o importante trabalho
Delimitação de Proteção da área da Casa
da Torre e Capela anexa, com uma proposta para criação do Parque Histórico Garcia D'Avila, que recebeu
o endosso do Conselho Estadual de Cultura.
Este período foi marcado por intensa atividade administrativa,
conseqüência de demandas, relacionadas com aprovação de Loteamento, pretendido
pelos Proprietários, na área tombada e, de outro lado, o Patrimônio, com a preocupação
de Proteção ao Monumento Nacional e sua
Ambiência.
Uma história, que abrange uma série de eventos, cuja síntese
cronológica apresentamos adiante[4]:
·
ABR.1971 - Aquisição
da Fazenda Praia do Forte pelos senhores Wilhelm Hermann
Klaus Peters, Detlef Anreas
Manfred Peters e Mario Barbosa Ferraz.
·
1974 - Entendimentos
do Comandante da VI Região Militar – General Heitor Fontoura de Morais – com os
Ministros da Educação e do Planejamento, conseguindo a verba inicial para preservação
das ruínas do Castelo e restauração da Capela.
·
10.OUT.1974 -
Relatório do Arq José de Souza Reis MEC/IPHAN.
·
02.MAR.1975 -
Em solenidade, realizada às 11 horas no palácio da Aclamação, o Governador Antonio
Carlos Magalhães assina decretos da maior importância para o desenvolvimento turístico
e industrial da Bahia, iniciado pelo que criou o PRONATUR – Programa Estadual
de Proteção à Natureza. Neste decreto, são consideradas de utilidade pública para
fins de desapropriação áreas particulares, e reservadas as públicas, necessárias
à implantação dos Parques Florestais e Reservas Ecológicas, dentre eles o Parque Florestal e Reserva Ecológica de Garcia D'Avila, nos
Municípios de Camaçarí e Mata de São João, com uma área de 900 ha.
·
24.MAI.1975 -
Proposta do Arq Mario Mendonça, para delimitação de área "non aedificanti".
·
24.MAI.1976 -
Parecer do Arq Mario Mendonça, sobre o estudo preliminar para um Polo de Desenvolvimento
Turístico na Fazenda Praia do Forte:
"...Considerando
a importância do Monumento e as características da área onde está situado, qualquer
proposta de reanimação e utilização desta área, deveria considerá-la
como Parque Histórico para visitação e lazer público, ...".
·
1976 - O Conselho
Estadual de Cultura da Bahia dirige-se ao Conselho Federal de Cultura, propondo
a criação de um Parque Histórico Nacional
de Garcia D'Avila, com vistas à proteção e à revitalização do monumento
e de sua ambiência.
·
JUL.1976 - No
Encontro Nacional de Cultura, realizado na Bahia, o Conselho Estadual de Cultura
propõe a criação do Parque Histórico Nacional
de Garcia D'Avila.
·
25.NOV.1976 -
Informação no 244 MEC/IPHAN do Arq Antonio Carlos da Silva Telles.
·
15.JAN.1977 -
Informação no 25 MEC/IPHA, da Arq Lygia Martins Costa.
·
05.SET.1977 -
Aprovada pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
a proposta de extensão do tombamento.
·
1977
- Levantamento fotogramétrico preliminar, das ruínas do Castelo da Torre, pelo Arq Mário
Mendonça, juntamente com o Prof italiano Ivan Chiaverini,
atendendo às recomendações internacionais da Carta de Veneza e do International
Council on Monuments and Sites – ICOMOS.
·
05.SET 1977 -
Aprovação, no Conselho Consultivo, da proposta de extensão do tombamento:
"... com a construção
de rodovia e a existência de projeto para ocupação da mencionada área para fins
turísticos, ambos os planos, como se acham propostos, acarretam graves prejuízos
ao conjunto paisagístico, sendo, por isto mesmo, louvável a idéia da criação do
"Parque Histórico da Casa da Torre de Garcia D'Avila".
·
1978 - Proprietários
se dirigem ao Ministro, solicitando a não homologação da extensão do tombamento.
·
07.MAR.1979 -
Parecer No 5/1.979 do Dr Raimundo Marcos Veloso – Assessor Jurídico
– MEC/IPHAN. Resposta ou contradita aos termos da impugnação apresentada por Mario
Barbosa Ferraz e Outros, contra o Parecer emitido pelo Conselho Consultivo de
IPHAN, no proc. no 128-T-38, que conclui pela conveniência de
extensão do tombamento da Casa da Torre de Garcia D'Avila, em Mata de São João.
·
08.OUT.79 - Informação
no 167 MEC/IPHAN, do Arq José de Souza Reis. Análise do projeto
de pesquisa de Arqueologia Histórica, de autoria do Dr Ulisses Pernambucano, de
Recife e estudo técnico, do Arq Fernando Machado Leal, visando à
estabilização das ruínas.
·
NOV.1979 - "Projeto
de loteamento é apresentado à Prefeitura de Mata de São João e aprovado no mês
seguinte". In Parecer do Arq Cyro I. C. O. Lyra, de 06.SET.1983.
·
14.JUL.81 - Informação
no 88, do Arq Antonio Pedro Gomes de Alcantara – MEC/SPHAN/FNPM: "O projeto proposto invalida a criação do Parque Florestal e Reserva de Garcia D'Avila na área delimitada
pelo Conselho Consultivo do IPHAN, atualmente em fase de homologação pelo Ministro
da Educação e Cultura".
·
10.AGO.1981 -
O Conselho rejeita a impugnação.
·
26.AGO.1981 -
É instituída, pelos proprietários do monumento e áreas adjacentes, a Fundação Garcia D'Avila, por Escritura Pública
lavrada nas Notas do Tabelião Antonio de Souza Gomes, do Distrito de Itanagra, Comarca e Mata de São João, Estado da Bahia, às
fls 37V - 41 do livro no 03.
·
28.SET.81- Diário
Oficial, p 18.179. - É homologada a extensão do tombamento do
Castelo da Torre de Garcia D'Avila e sua Capela de Nossa Senhora da Conceição.
·
OUT.1981 - Os
proprietários recorrem ao Secretário de Cultura pedindo reconsideração da deliberação
do Conselho Consultivo.
·
06.DEZ.1981 -
É celebrado um acordo, entre o Diretor Regional do SPHAN e os proprietários.
·
30.JUL.1982 -
Laudo Pericial do Inquérito Policial sobre os "prejuízos provocados pelo loteamento da área circundante à Casa da Torre
de Garcia D'Avila".
·
SET.1982 - Encaminhamento,
à SPHAN, do projeto do Clube Hotel.
·
JAN.1983 - Informação
do Setor de Arqueologia, condicionando o projeto de construção do Clube Hotel
a escavações arqueológicas, antes do início das obras.
·
17.JAN.1983 -
Informação 06/83 da Arq Lia Motta. Assunto: Robinson
Clube Praia do Forte, em área tombada pela SPHAN, nas imediações da Torre de Garcia
D'Avila – Mata de São João, onde é relatado "um impecílio à aprovação do projeto, tendo em vista a necessidade de escavações
arqueológicas no terreno em questão".
·
ABR.1983 - A
firma LANDCO – Empreend. Imobiliários
encaminha novo projeto de loteamento.
·
06.SET.1983 -
Parecer do Arq Cyro I. C. O. Lyra. Análise do novo projeto de urbanização:
"... acreditamos
que o melhor caminho será o de reafirmar a idéia de um Parque, cujos objetivos são o ponto de partida para a sua delimitação:
a preservação paisagística do conjunto castelo-colina-mar e a preservação da memória
histórica, e o que esse conjunto, e não apenas o "Castelo", representa como marco da conquista, ocupação
e domínio da região".
·
12.SET.1983 -
Ata da 103a Reunião Ordinária do Conselho Consultivo do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional:
"O Conselheiro
Pedro Calmon pediu a palavra para lembrar que, em 1928, visitando o local, encontrou
restos de um forte existente na praia
e disse de sua estranheza pela inexistência de referência a este forte, na proposta
do IPHAN. Acrescentou ser a idéia de reunir a ruína ao mar uma exigência do ponto
de vista histórico, por ser a enseada onde eles estão localizados, a única
existente entre o Rio Real e a Bahia de Todos os Santos, tendo sido ali que a
esquadra holandesa estacionou quando, em 1647, ocupou Itaparica. Acrescentou que,
sendo as vias de comunicação daquela época marítimas, e não terrestres, a ligação
da Casa da Torre com o mar, continua imprescindível, sob pena de prejudicar-se
a ambiência do bem tombado, o que viria contra a jurisprudência do Conselho. Apresentou,
assim, seu voto a favor das conclusões do relatório da SPHAN, o que foi aprovado
por todos os Conselheiros, sendo autorizada a SPHAN a prosseguir no assunto dentro
da orientação de ser a ligação entre as ruínas e o mar, essencial”.
·
05.JAN.1984 -
Inspeção do Arq José de Souza Reis.
·
12.ABR.1985 -
Informação 47/85 - Relatório do Arq Cyro I. C. O. Lyra.
·
1983/89 - Estudos
acadêmicos IFCS/UFRJ e FAU/USP da Arq Sonia Ricon Baldessarini.
Neste período, os proprietários da região, sob a liderança
do empresário Klaus Peters, iniciam a exploração
turística e hoteleira na região, verificando-se alguns cuidados especiais para
com o uso do solo e com a preservação do ecossistema, destacando-se uma Reserva
Ecológica e o apoio, desde sua criação, ao Projeto Tamar. Quanto ao monumento,
a Fundação Garcia D'Avila, após sua
criação, vem executando trabalhos de limpeza e de vigilância, na ruína e no seu
entorno, apesar das dificuldades decorrentes da natureza do Solar, desprotegido
da ação das intempéries e de depredações.
4o Período: 1989
/ 1999 – Viabilização da Restauração
Em 30 de agosto de 1989 é constituído, por descendentes da
Casa da Torre, o Centro Cultural e de Pesquisas
do Castelo da Torre – CCPCTorre, registrado no Registro Civil de Pessoas Jurídicas
sob no de ordem 10694 do Livro “A” no 30,
declarado de Utilidade Pública pela Lei N. 2102 de 10.01.94, do Município do Rio de Janeiro.
Seu presidente é o Eng. Militar Christovão Dias de Avila
Pires Junior.
Iniciam-se estudos e pesquisas, com o desenvolvimento do Projeto
Castelo da Torre, registrando-se uma seqüência de conferências, reuniões, congressos
e seminários, no país e no estrangeiro, enfocando a importância da Preservação do Patrimônio
Histórico Brasileiro, em especial, da Casa da Torre, com diversos trabalhos publicados,
além de entrevistas para jornais, revistas e televisão.
Em 1993 - É iniciada, pelo CCPCTorre, a execução do Armorial
Histórico da Casa da Torre, organizado e desenvolvido pelo pesquisador heráldico
Victor Hugo Carneiro Lopes. Trata-se de um empreendimento monumental e inédito
no Brasil, já exposto na Bahia, no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e
no Rio de Janeiro, no Museu Histórico do Exército e no Palácio da Guerra. Suas
coleções iniciais, submetidas a exames, obtiveram pareceres favoráveis e incentivadores
da sua continuidade, do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, do Instituto
Genealógico da Bahia, do Museu Histórico do Exercito e da Académie Internationale
d’Héraldique:
”Le relevé des armoiries de la Casa da Torre est certainement du plus grand intérêt. Il entre dans le
programme de ce qui est prévu en
Europe, mais a en plus l’avantage d’être probablement un des plus
importants recueils, non seulement du Brésil, mais de tout
le Nouveau Monde. Dr
Jean-Claude Loutsch – Le Président”.
Em dezembro de 1993 inicia-se a primeira etapa do atual processo
de Restauração das Ruínas do Castelo, com o Convênio assinado em 08.DEZ.1993,
entre o Ministério do Exército, através do Instituto Militar de Engenharia – IME
e a Fundação Garcia D’Avila, com a interveniência da então Fundação Pró-Memória
e do Centro de Pesquisas do Castelo da Torre, sendo executado um acurado levantamento
fotogramétrico do monumento. Este trabalho de documentação e registro de alta
precisão, pioneiro no Brasil, teve o apoio das Organizações Odebrecht, através
do Projeto Sauípe, sendo apresentado em diversos Congressos nacionais e internacionais.
Em 17 de dezembro de 1993 é inaugurada a
Linha Verde, conhecida como “Estrada Ecológica”, pelo então Governador
Antônio Carlos Magalhães, que, no seu discurso de inauguração lembrou:
“A História do Brasil
está sendo reescrita. Por aqui passaram, há 445 anos, os conquistadores e colonizadores
do Nordeste, conduzidos por Garcia D'Avila, seguindo o plano de ocupação do Brasil,
traçado pelo rei de Portugal D. João III – o Regimento de 17 de dezembro de 1548
...”.
Em 1996 é desenvolvido, no âmbito da Universidade Federal da
Bahia – CECRE, o Projeto de Viabilização
da Restauração da Casa da Torre de Garcia D'Avila, a cargo do Arq Ubirajara
Mello, por iniciativa do presidente do CCPCTorre, que teve o acompanhamento, com
o apoio local da Fundação Garcia D'Avila, sendo aprovado em 17.MAR.97 pela 7a
CR do IPHAN – Ofício no 230/97.
Nos primeiros meses de 1996 o Arq Paulo Ormindo
de Azevedo, que é membro do International Council on Monuments and Sites – ICOMOS,
registra um importante estudo, com sua preocupação[5]:
"... O monumento corre o risco de, pressionado pela opinião pública, o Estado
intervir precipitadamente para evitar seu desaparecimento sem os estudos e cautelas
necessários, destruindo valores históricos e estéticos, como infelizmente tem
ocorrido ...l.
Não estamos advogando
que devamos intervir em um monumento sem um razoável conhecimento histórico do
mesmo, senão que existem outras fontes que, conjuntamente com as escritas e gráficas
podem permitir a reconstrução da história de um monumento. Refiro-me à sua leitura
arquitetônica e à pesquisa arqueológica de seu subsolo.
... São questões
fundamentais, não só para o esclarecimento da própria história do monumento, como
para o encaminhamento de sua restauração. ..."
1997 - Um projeto de pesquisa no Brasil e no exterior, promovendo
o resgate da Memória e da História da Casa
da Torre, é desenvolvido pelo CCPCTorre, tendo como titular o Instituto Histórico
e Geográfico Brasileiro. Aprovado no MinC/PRONAC, recebeu o apoio cultural da TELERJ, no Rio de
Janeiro, sendo transferido em 1998 para UFRJ, que se encarregou da sua conclusão.
Em 27.JAN.98 - Na 2a Sessão Plenária Ordinária
do Conselho Estadual de Cultura, manifestam-se sobre
a criação de um Parque Nacional
ou Estadual, na área da Torre de
Garcia D'Avila, os Conselheiros Fernando Rocha Peres, Edivaldo Boaventura, Renato Berbert de Castro,
Manuel Veiga, Ary Guimarães, Coelho Fontes
e Renato Ferraz, sendo lembrado: "ser revisto o processo sobre o assunto, no IPHAN, que já fez, neste sentido,
tentativa" e, "que a instalação
de um Parque naquele local tem significação histórica para todos os baianos que
conhecem a saga dos Avilas".
Estudos e projetos de empreendimentos urbanísticos e hoteleiros
são desenvolvidos para a região, objeto de consultas e entendimentos com o IPHAN.
Em 16.DEZ.98 - Um Termo
de Cooperação Técnica foi firmado entre o IPHAN e a Fundação Garcia D'Avila,
regulando o "desenvolvimento de ações
conjuntas, voltadas para a realização da restauração e preservação do monumento
tombado ... ". Publicado no DOU No
13 de 20.JAN.1999.
Registramos, poucos quilômetros ao norte do Castelo, em terras
que pertenceram à Casa da Torre até o século passado, a construção de um sofisticado
complexo turístico internacional – O megaresort Costa do Sauípe, situado na Sesmaria de Sauípe, recebida,
em 1625, por Francisco Dias de Avila Caramurú – Senhor da Torre de Tatuapara –
neto e herdeiro de Garcia D'Avila 1o. Um dos empreendimentos denomina-se
Pousada Casa da Torre, em alusão à história das suas terras, que pertenceram àquele
que, em 1624, levou a termo a construção da Casa da Torre de Garcia D'Avila.
5o Período: 1999
/ 2000 – Atual Processo de Proteção e Revitalização
Ao final do século e do milênio, surge, no Calendário Gratular
da Casa da Torre, a Restauração deste Solar multissecular e glorioso, integrada
às Comemorações dos Fastos de 1549, na Bahia, em que se festejam os 450 anos da
Fundação da Cidade do Salvador e da chegada de Garcia D'Avila a essa Metrópole
e, ainda, incorporada às solenidades do V Centenário do Descobrimento do Brasil.
Em 22.JAN.1999, é credenciado, pelo Instituto Geográfico e
Histórico da Bahia, "o Engenheiro Militar
de Fortificação e Construção Christovão Dias de Avila Pires Junior, como seu representante,
junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, no tocante
a aspectos histórico-culturais da Casa da Torre e ao acompanhamento do processo
restauração e revitalização das Ruínas do Castelo Garcia D'Avila". A
Credencial é encaminhada, pelo IPHAN – 7a SR, à Fundação Garcia
D'Avila, através do Ofício no 033/99 de 25.JAN.1999.
As atividades de obras, no Castelo, foram iniciadas no início
de MARÇO deste ano de 1999, designado, pelo IPHAN, o Arq Francisco de Assis Salgado
de Santana, para fiscalizar, tecnicamente, todas as fases do projeto, sendo a
primeira licença para início dos trabalhos dada, pelo
IPHAN – 7a SR, dia 08.JUN.1999,
para os serviços preliminares de Arqueologia, na área do futuro Centro de Recepção.
Existem dois projetos aprovados, junto ao MinC – PRONAC/MECENATO, pela Fundação Garcia D'Avila, sendo
autorizada a captação de recursos, uma parte já obtida
e em aplicação.
8. CONSIDERAÇÕES
FINAIS
8.1 - Processo
de Proteção
O presente registro histórico, sintético
e ordenado, proporciona
uma visão geral do processo de Proteção da Casa da Torre, ao longo do Século XX,
anotando as preocupações e providências, de vários vultos
e instituições, possibilitando uma análise profunda e cuidadosa dos acontecimentos,
sob a ótica atual.
8.2 - Centro
de Memória
O acervo documental, museológico, iconográfico e de fontes
bibliográficas, que vem sendo coligido e identificado pelo CCPCTorre, complementado
pelo Armorial Histórico da Casa da Torre, hoje com mais de cem Brasões de Armas
e, incluído pela Académie Internationale d’Héraldique "no programa da Europa como a mais importante
coleção não só do Brasil mas de todo o Novo Mundo", já constitui o Centro
de Memória da Casa da Torre, cujo funcionamento será contínuo e incansável.
8.3 - Revitalização
Encontra-se, em andamento, um amplo programa de Restauração
e Revitalização, que tem como titular a Fundação Garcia D'Avila, em parceria com
as Fundações Luís Eduardo Magalhães e Roberto Marinho e com a participação do
Estado da Bahia, do Governo Federal e de Empresas. Viabilizado, graças ao decisivo apoio do Senador
Antonio Carlos Magalhães, prenuncia outras providências mais abrangentes, de irrecusável
difusão, tudo a benefício da memória verdadeira e da justeza dos conceitos histórico-culturais
da Casa da Torre e do emergente Turismo Histórico internacional, que se desenvolve
ao longo da imponente Linha Verde, litoral norte da Bahia.
8.4 - Continuidade
e Perenização
9. NOTA
E BIBLIOGRAFIA
Dispomos da bibliografia citada, além de farta
documentação sobre o tema e, de todas as fontes primárias referidas, dispomos
de cópias.