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CAPA: "Reprodução fotográfica, por nímia gentileza
da "Cooperativa Instituto de Pecuária da Bahia", da esplêndida aquarela de A.
Norfini, revivendo em recomposição artística, o famoso e secular Castelo da Torre
de Garcia D'Avila. Do alto da encantadora colina
de "Tatuapara", debruçado sobre o oceano, verdadeiro fortin à espera do inimigo,
pesado e rijo nas suas paredes de pedra, com as suas abóbadas e arcos romanos,
tinha o aspecto das fortalezas medievais e era a atalaia da navegação e a sentinela
da conquista de um mundo desconhecido. Residência do primeiro dos pecuaristas
do nordeste, abrigo de desbravadores do sertão, casa patriarcal de uma dinastia
de pioneiros, berço de gerações de heróis fidalgos. Destroços que evocam feitos
brilhantes da história da nacionalidade e tradições brasileiras que nos enchem
de orgulho."
| Garcia
D'Avila, | | |
o pioneiro da pecuária
nordestina | |
| | Archibaldo
Baleeiro | "Em seis
barcos, a grossa expedição aportara à Bahia, em 29 de março de 1549, comandada
por Tomé de Souza, a quem el-rei D. João III, confiara a edificação da Capital
do Novo Estado, trazendo como almoxarife da fazenda real, um rapaz protegido do
primeiro governador, chamado - Garcia D'Avila. Pedro Calmon, na "História
da Casa da Torre", de onde extraímos estes informes baseados em copiosa documentação
histórica, estuda a dinastia desse pioneiro e conta-nos em páginas de encantadora
beleza, vibrantes de entusiasmo evocativo da formação da nacionalidade, a ação
desse homem surpreendente, rude e bravo. À "sombra de um tejupar", o almoxarife
da casa real, no afam de despachar os pedidos de materiais para as construções,
"trabalhara como um operário do rei Salomão, nas obras gigantescas daquela Jerusalém
tropical", ao lado dos seus companheiros de expedição, de envolta com os índios
de Caramurú, o marido de Catarina Paraguassú, a formosa cabocla que "vira em sonhos,
antes de a achar encalhada nas areias da praia", a imagem da milagrosa Virgem,
venerada na ermida existente na "lomba suave da Graça. [...] A
ação vigilante e enérgica; a astúcia, a inteligência, a bravura e a tenacidade,
orientadas pela ambição insaciável de Garcia D'Avila e seus descendentes, reservaram
para estes heróis de tantas jornadas, de tantas lutas em vários campos e nas mais
diversificadas circunstâncias, o papel histórico que a Casa da Torre tão brilhantemente
desempenhara na formação da nacionalidade, no desenvolvimento e de expansão econômica
da agricultura, na conquista do sertão e no povoamento do solo. Enquanto
um boi andar pelos sertões ocidentais, sonolento ou remoendo, perdurará na memória
dos brasileiros, a admiração pela figura inolvidável de Garcia D'Avila - o fundador
da Casa da Torre, cujos destroços, lembram hoje, um velho e majestoso poder, recordando
na poesia das paisagens nordestinas - gerações de heróis que souberam funda-la
e melhor defendê-la." |